Home office: as visões de líderes e funcionários

A discussão sobre o home office segue quente. Nos últimos tempos, há empresas que mantiveram suas políticas de trabalho remoto, algumas estabeleceram o trabalho híbrido e outras que exigiram o retorno presencial dos funcionários.

Mas por que é tão difícil haver consenso sobre o home office? Uma nova pesquisa publicada na Harvard Business Review traz uma perspectiva esclarecedora sobre o tema. 

De acordo com o estudo, uma das principais diferenças está no ponto de vista que líderes e colaboradores possuem sobre os efeitos do trabalho remoto na produtividade. 

Mais de 30% dos gestores acreditam que os funcionários que trabalham em casa reduzem entre 5% e 15% sua produtividade. Por outro lado, cerca de 40% dos funcionários defendem que o trabalho remoto aumenta a produtividade em 10% a 35%. São opiniões bem diferentes.

Duas visões opostas sobre o mesmo assunto

A maior divisão está na maneira como gestores e funcionários enxergam a relação entre produtividade e o deslocamento para o trabalho.

Quando um líder calcula a produtividade ele não costuma incluir na conta o tempo de deslocamento de casa para o trabalho. Já os funcionários consideram a ida e volta ao escritório um elemento crucial. E todos podem estar certos, de acordo com seu ponto de vista. 

Imagine que um colaborador conta oito a nove horas de trabalho diário. Se para chegar ao escritório ele leva, mais ou menos, uma hora, são duas horas de deslocamento em que sua produtividade fica congelada. Em casa, sem o tempo gasto no deslocamento, as mesmas horas podem ser utilizadas para o trabalho. 

Na visão dos gestores, o tempo de deslocamento não entra na conta. Nesse caso, se o funcionário reduz sua produtividade trabalhando de casa e o salário permanece o mesmo, isso significa que mesmo que a queda seja mínima (a depender de cada caso), a empresa está recebendo menos pelo que investe no funcionário. 

Em busca do equilíbrio

Para reduzir a distância entre os pontos de vista, uma das ações que devem estar no radar das empresas é a definição de políticas claras de trabalho remoto. 

Uma das possibilidades é o trabalho híbrido. Nesse caso, o funcionário pode escolher 2 a 3 dias fixos em que vai ao escritório, inclusive considerando dias em que pode gastar menos tempo no deslocamento. 

Nos dias presenciais, é importante considerar as atividades como reuniões, treinamento, atividades em grupo e eventos em que são indispensáveis à presença dos profissionais. 

Outro ponto que as empresas devem considerar é realizar avaliações individuais. Algumas funções podem ser mais produtivas quando realizadas no trabalho remoto, enquanto outras necessitam da presença física. 

Além disso, os gestores podem considerar as particularidades de cada pessoa. Há aqueles que não só preferem trabalhar de casa como também se adaptam melhor à rotina remota que, à sua maneira, exige disciplina e métodos específicos para que não se comprometam as entregas.

Por último, é preciso levar em consideração que o trabalho remoto foi testado, no máximo, por dois anos, o tempo que durou a pandemia. Nesse processo, muitas ferramentas ainda não estavam disponíveis e a grande maioria das pessoas experimentou o home office pela primeira vez em suas carreiras.

Com mais tempo para se organizar e realizar experimentações, novas soluções podem ser encontradas para que a equação trabalho remoto e produtividade fique mais próxima entre gestores e colaboradores. 

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