A maneira como enxergamos nossas carreiras é influenciada pela experiência que tivemos da relação de nossos familiares com o trabalho e por movimentos externos que influenciam nossas decisões. 

No caso da geração Z, é impossível negar a influência da pandemia de Covid-19 na forma como eles entendem a vida profissional. Para muitos, o isolamento começou logo no início de suas carreiras. 

De acordo com uma pesquisa da Wunderman Thompson Data, 70% dos entrevistados afirmam que a pandemia mudou suas prioridades. 

Nem sempre o lugar mais alto

Se para a maioria dos pais dos jovens que nasceram entre 1997 e 2012, o maior objetivo era chegar à direção ou presidência de uma grande companhia, essa premissa nem sempre é válida para eles. 

O consultor de carreira de Harvard Gorick Ng falou com centenas de jovens que chegam ao mercado de trabalho. Em seu estudo, menos de 2% almejavam alcançar o ponto mais alto da escala corporativa. 

Para recrutadores, essa não chega a ser uma notícia ruim. Afinal, seria mais difícil contratar pessoas em diferentes posições se todas tivessem o mesmo objetivo. 

No entanto, há alguns pontos que merecem atenção e exigem mudanças na abordagem para com esses novos profissionais. 

O mundo deles é (e sempre foi) digital

Se você já postou uma carta no correio ou enviou um fax, talvez não tenha a mesma visão dos jovens que agora entram no mercado. Para eles, a conexão total é um modelo de vida que sempre existiu.

O ambiente digital oferece a experiência de realizar sozinhos uma atividade nunca feita antes. Basta uma pesquisa, um tutorial e o bom “faça você mesmo”. Sem dúvida, a autonomia é um ponto chave para os jovens e não deixa de ser também uma habilidade que recrutadores buscam quando se fala em inovação. 

Por isso, a flexibilidade no trabalho é fundamental. Vale ressaltar que essa flexibilidade não é sinônimo de home office (para muitos deles o modelo remoto total foi uma experiência traumática depois de estudar apenas por meio do ensino a distância). A flexibilidade significa trabalho híbrido e qualidade de vida. 

O trabalho híbrido permite se locomover quando necessário sem a obrigação de ir ao escritório todos os dias e, ao mesmo tempo, proporciona o contato com colegas e gestores. 

Já a qualidade de vida é a possibilidade de equilibrar a rotina com trabalho e outras atividades que complementam suas satisfações pessoais. Inclusive, os interesses pessoais também aparecem quando falamos sobre a busca de um propósito. 

O propósito e a justiça no ambiente de trabalho

Em vez de funções exclusivamente técnicas, a geração Z prioriza a criatividade e a consciência de que sua função na empresa vai além do salário no fim do mês.

Quando falamos em propósito, é inegável que a responsabilidade social tem peso. A geração Z não acompanhou nem a Guerra Fria, nem a ameaça nuclear. 

Para eles, a mudança climática, por exemplo, é a grande ameaça do planeta e, com a quantidade de informação disponível, eles se sentem impelidos a colaborar para a melhoria da sustentabilidade. 

Aliás, o interesse por responsabilidade social e sustentabilidade não está apenas na hora de escolher um emprego, mas também nas suas relações com os produtos que consomem. 

Entretanto, o propósito também está ligado à maneira como o seu trabalho impacta as pessoas e as decisões da organização. Funções meramente repetitivas e que exigem pouca criatividade desmotivam rapidamente. 

O que a empresa pode fazer

Antes de mais nada, é preciso ter consciência de que qualquer geração é formada por indivíduos e as tendências de um grupo nem sempre se aplicam a todos eles. 

Para o recrutador, é fundamental entender como um candidato, independentemente da geração, enxerga seu próprio sucesso e de que maneira ele pretende evoluir na carreira. 

Como a boa comunicação começa em saber ouvir, as empresas devem fazer sondagens, pesquisas e conversar com os jovens para entender suas prioridades. Até porque nada garante que elas serão as mesmas nos próximos anos e, se novas transformações acontecerem, quem souber ouvir melhor será capaz de se antecipar e sair na frente da concorrência.

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