Por que os jovens deixam mais seus empregos?

Quando você olha para seu currículo é possível estabelecer uma média do tempo em que passou em cada empresa. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e da Previdência, se você tiver entre 30 e 39 anos, é mais provável que tenha permanecido por pelo menos um ano em seus empregos. A maioria nessa faixa etária, chega a ficar mais de cinco anos.

Para quem já passou dos 50 anos, o mais comum é o profissional ficar por pelo menos dez anos trabalhando na mesma organização. Porém, quando olhamos para os trabalhadores nascidos a partir de 1996, conhecidos como geração Z, a diferença é enorme. Nesta população, a maioria não consegue passar dos três meses no mesmo local de trabalho. 

Mas por que isso acontece?

A visão sobre o trabalho mudou

Conseguir um emprego estável, comprar casa, carro, casar e ter filhos costumava ser um planejamento padrão dos profissionais. Para trilhar esse caminho em segurança, permanecer no mesmo emprego era uma escolha natural.

A visão de trabalho sempre foi mais ou menos linear com buscas bem definidas por aprendizado no começo de carreira, independência financeira e, por último, qualidade de vida. No entanto, o mundo mudou e as novas gerações que entram no mercado de trabalho se transformaram com ele. 

A necessidade de ter uma casa própria e constituir família é menor do que em tempos atrás. Além disso, outras questões que já vinham se alterando foram aceleradas com a pandemia. A procura por qualidade de vida, por novos desafios, por uma carreira mais movimentada e pelo impacto que o trabalho gera na sociedade se tornaram prioridades no início das jornadas profissionais. 

Dessa forma, passar menos tempo no mesmo emprego é o novo normal para esses jovens.

As consequências dessa tendência

Segundo especialistas, currículos com pouco tempo em cada emprego serão cada vez mais comuns. Isso já até ganhou uma nova expressão: o “job hopping”. 

De um lado, há quem veja um lado positivo porque o profissional consegue viver mais experiências em menos tempo. De outro, há a percepção de que é praticamente impossível realizar um trabalho efetivo, com entrega de resultados, em menos de um ano. 

Seja como for, as tendências dentro e fora do país apontam para a remodelação do trabalho, com formatos mais flexíveis de jornada e estrutura. O principal objetivo é fazer com que os profissionais consigam se sentir realizados mais cedo e tenham relações mais humanizadas com as empresas. 

No fundo, o que acontece é que não existe uma receita pronta. Mas uma parte importante das medidas que antes serviam para engajar profissionais de outras gerações não funcionam mais. Uma nova forma de se relacionar precisa ser construída. 

Novidades como a jornada semanal de 4 dias, a possibilidade de trabalhar em diferentes horários e lugares, os benefícios flexíveis e, claro, lideranças que consigam lidar com essas demandas, são alternativas que as empresas começam a implementar. 

Algumas organizações já olham para o outro lado dessa história e buscam investir em jovens com menos acesso à educação, oferecendo treinamento e capacitação para ocupar os postos de trabalho. Para essas pessoas, a segurança de um emprego tende a ser mais valorizada.

É inegável que esse movimento deve ser visto pelas empresas como um resultado de um momento que vivemos. Brigar contra essa tendência pode ser ainda mais prejudicial às corporações. No curto prazo é importante reduzir o impacto negativo do conflito de gerações e buscar novas soluções. Adaptar as culturas para as novas prioridades profissionais é um desafio que toda organização vai enfrentar. 

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