Demissões aumentam o desafio da retenção de talentos

A queda no desemprego ao longo do ano não significa que ficou mais fácil contratar. A dificuldade de encontrar mão de obra qualificada é uma constante no país, um fenômeno que se dá por diversas razões, entre elas a falta de capacitação frente às transformações do mercado de trabalho. 

Com os choques provocados pela pandemia e a redefinição de modelos de trabalho, o número de profissionais que pedem demissão voluntariamente nunca foi tão alto. 

Além da contratação, a retenção é o grande desafio

Apesar da perspectiva de melhora da economia brasileira, o cenário econômico global ainda é de incerteza para os próximos anos. 

Entre julho de 2021 e o mesmo mês de 2022, o Brasil somou 6,5 milhões de pedidos de desligamentos do trabalho, considerando apenas aqueles com carteira assinada. Aumento de 42,5% quando comparado aos 4,5 milhões do período anterior. 

Mas o que explica essa tendência?

A relação dos jovens como trabalho mudou

Primeiro, é preciso deixar claro que o fenômeno de demissão em massa no Brasil é muito mais restrito aos jovens com níveis de educação mais altos e que possuem condições de encontrar outras oportunidades. 

Nos EUA, onde a situação beira ao pleno emprego, o fenômeno do quiet quitting, ou demissão silenciosa engloba praticamente todas as classes e níveis educacionais. Seja como for, é importante compreender o que passa na cabeça desses jovens profissionais brasileiros. 

O ponto central, de acordo com especialistas, é que a relação entre esses profissionais e o trabalho se transformou rapidamente nos últimos anos. Para muitos trabalhadores, a busca pelo sucesso financeiro se tornou menos preponderante do que o equilíbrio entre vida e trabalho, além da saúde física e mental.

A flexibilidade dos modelos de trabalho para o home office também impulsionaram um movimento em que profissionais preferem abrir mão da, em outros tempos, tão desejada estabilidade de emprego para uma possibilidade de ter mais tempo com a família e para se dedicar a outras atividades. 

O que as empresas podem fazer?

Nas empresas, esse movimento traz um obstáculo não só na busca para substituir profissionais que deixam seus postos, como também na saída em grupo de talentos. 

O que tem sido visto é que depois que alguém sai do trabalho voluntariamente, há um movimento dentro das empresas em que outros profissionais se sentem mais à vontade para tomar uma decisão como essa. 

Por isso, a retenção se tornou uma questão central para o futuro das organizações. Algumas delas passaram a investir em programas de saúde mental e benefícios que incentivam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, como atividade físicas, meditação e outras modalidades que auxiliam na qualidade de vida. 

Seguindo alguns exemplos de países desenvolvidos, companhias inovadoras apostam em soluções mais arrojadas como a implantação de semanas de quatro dias, dias sem reunião e jornadas mais flexíveis. 

No entanto, o ponto principal está mesmo na relação pessoal que o profissional estabelece com a empresa e seus líderes. Em vez da dureza da rotina, a exaustão, o trabalho sem pausa, as pessoas têm buscado uma sintonia maior entre propósito, qualidade de vida e trabalho.

Por isso, a transformação da cultura organizacional tende a ser o passo decisivo que, claro, pode ser acompanhado de outras iniciativas. Fugir do que o mercado de trabalho chamou de “cultura tóxica” é o primeiro passo. Além disso, treinar e capacitar as lideranças para novos modelos de gestão em que se busquem os resultados sem comprometer a vida pessoal dos funcionários é outro movimento que as empresas começam a fazer. 

Ao estabelecer uma relação de confiança e reconhecimento das prioridades dos profissionais, fica muito mais fácil aumentar o engajamento e a produtividade. 

Com pessoas que se sentem reconhecidas e valorizadas, a queda da rotatividade é a primeira consequência, acompanhada do fortalecimento da marca empregadora que, no médio prazo, tornará uma reposição muito mais fácil, mesmo em um cenário ainda instável e que pode passar por novas transformações. 

Para saber mais:

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