Inteligência emocional: uma habilidade essencial no mercado de trabalho.

Nos últimos dois anos nunca se falou tanto em saúde mental. Primeiro, porque a pandemia acentuou dilemas e problemas na relação das pessoas com o trabalho que acentuaram problemas como ansiedade, depressão e o burnout. Pesquisa conduzida pela Universidade de Ohio (EUA), mostrou que 63% dos brasileiros relataram ansiedade e 59% sintomas de depressão. O número mais alto entre os países estudados. 

Mas a preocupação com a mente já se apresentava como uma questão antes mesmo da pandemia. Há milhares de anos as filosofias do Oriente já enxergavam diferentes formas de inteligência para o ser humano. Já do lado Ocidental, pessoas inteligentes sempre estiveram mais ligadas a atividades lógico matemáticas. Justiça seja feita, o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau já dizia no século XVIII que “se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz”. Aos poucos, a visão foi mudando e, hoje, uma das principais habilidades para o futuro do trabalho está diretamente ligada à capacidade não de fazer contas, mas de interpretar a agir a partir dos próprios sentimentos: é a inteligência emocional.

O conceito

São muitas as definições para o termo, mas de maneira simplificada a inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e gerenciar os próprios sentimentos, além de compreender os sentimentos das outras pessoas. Portanto, este conceito influencia não apenas no desenvolvimento individual da carreira, mas de todas as pessoas que estão à volta de um profissional e, por isso, ela também se torna cada vez mais importante. 

Habilidades comportamentais em alta

Você já deve ter ouvido como as habilidades comportamentais (soft skills) passaram a ter mais relevância na hora de decidir sobre a contratação ou a promoção de um profissional. Comunicação, liderança, flexibilidade, resiliência, empatia se tornaram palavras-chave em todos os setores e quando paramos para olhar com calma, fica evidente que todas elas de alguma forma se conectam com nossos sentimentos. Por isso, não é exagero afirmar que a inteligência emocional é a mais importante de todas elas porque influencia diretamente na gestão dessas competências. 

Inteligência emocional e a pandemia

Sem dúvida o período pandêmico trouxe ainda mais relevância para a maneira como lidamos com nossas emoções. Isolamento social, risco à saúde e múltiplos desafios no mercado de trabalho aumentaram a tensão. Além disso, a inteligência emocional também está ligada à maneira como enfrentamos momentos de frustração, gerenciamos nosso autocontrole e demonstramos calma nos momentos de dificuldade. Em outras palavras, pode-se dizer que a pandemia foi um divisor de águas para a forma como as empresas passaram a enxergar essa competência. 

As emoções e a tomada de decisão

Tomar decisões cada vez mais rápidas e que impactam cada vez mais pessoas é um enorme desafio. Dessa forma, ter o autoconhecimento para compreender as próprias emoções e saber como administrá-las é essencial para evitar atitudes que coloquem em risco o clima organizacional. Um exemplo é quando um líder compreende que em um determinado momento é melhor escutar do que dizer, esperar em vez de agir. É como se costuma dizer: uma decisão tomada no “calor da emoção” pode colocar tudo a perder.  

A importância dessa habilidade em modelos ágeis

Conforme as empresas se transformam suas estruturas internas de equipe, cada vez mais os líderes precisam conviver com profissionais de diferentes áreas. Neste sentido, a inteligência emocional é decisiva porque permite compreender opiniões, atitudes, hábitos, comportamentos e visões diferentes sobre um mesmo assunto. Ou seja, um líder com uma capacidade maior de enxergar o que impacta as emoções das pessoas, pode oferecer uma forma de gestão adequada para cada perfil, o que aumenta o engajamento e a produtividade dos times.